25 de setembro de 2012

Geodiversidade no contexto açoriano (Diário Insular, 6.JUL.2005)


 "...A vida açoriana não data espiritualmente da colonização das ilhas; antes se projecta num passado telúrico que os geólogos reduzirão a tempo, se quiserem...
(…)
A geografia, para nós, vale tanto como a história, e não é debalde que as nossas recordações escritas inserem dos cinquenta por cento de relatos de sismos e enchentes. Como as sereias temos uma dupla natureza: Somos de carne e de pedra. Os nossos ossos mergulham no mar."

Vitorino Nemésio

Os vários ícones geológicos e geomorfológicos que cativam os turistas aos Açores.
(Fonte: “Açores: Festas, Romarias e Tradições 2000 Hoje).

O Arquipélago dos Açores apresenta uma grande riqueza e diversidade paisagística, o designado Património Natural. De entre as várias componentes desse património, destaca-se a Geodiversidade.
Geodiversidade consiste no conjunto das formações e estruturas geológicas. Esta variedade de ambientes geomorfológicos originou-se através de fenómenos geológicos transformadores de energia e de fenómenos de meteorização e erosão. Desta forma, a geodiversidade mostra relevância científica, cultural, educativa e económica; por isso é necessário que na “vida açoriana …(com um) passado telúrico”, haja preservação e conservação deste elemento, sendo pertinente implementar medidas de geoconservação.
A “Geodiversidade engloba a variedade de ambientes geológicos, fenómenos e processos activos geradores de paisagens, rochas, minerais, fósseis, solos e outros depósitos superficiais que constituem a base para a vida na Terra”.
O Devon Country Council, refere que a geodiversidade contribui para a qualidade de vida de várias formas:
- Apreciação: pois sabemos que as características geológicas são apreciadas e admiradas em todo o mundo e que atraem turistas.
- Conhecimento: ao estudarmos estas características, somos capazes de compreender melhor a evolução e a história do nosso planeta.
- Produtos: esta refere-se à extracção de materiais, fósseis e minerais para fins comerciais.
- Processos/funções naturais: pois os fenómenos geológicos naturais providenciam alguns serviços essenciais, como o abastecimento de águas e a utilização da energia geotérmica.
Desta forma, facilmente concluímos que a geodiversidade é o elo de ligação entre as pessoas e a sua cultura, e, que é o meio de interacção da biodiversidade com as diversas formações e estruturas geológicas, quer isto dizer que, a geodiversidade é o palco para a vida na Terra, onde os actores são todos os seres vivos.
Assim, as questões relacionadas com a conservação da Natureza (Bio e Geo) adquirirem grande importância e são promotoras do desenvolvimento sustentável. Por isso, deve-se ter em conta, a preservação íntegrada dos valores geológicos e biológicos de uma dada região.
A geodiversidade pode ser considerada um valor a preservar por várias perspectivas, e alguns estudiosos já criaram uma longa lista de razões para considerar certas rochas, fenómenos e processos activos geradores de paisagens valiosas. Assim, a maioria dos valores referidos na literatura podem ser agrupados do seguinte modo:
- Valor intrínseco/existencial,
- Valor ecológico, e
- Valor social e económico.
O valor da geologia, das paisagens e dos solos para os humanos, assim como a herança geológica, são os argumentos frequentemente citados para justificar a geoconservação, e estes são de facto importantes, embora não sejam os únicos.
A herança geológica abrange todos os elementos de natureza geológica, enquanto dá, por um lado, significado social, diminui, por outro lado, o valor intrínseco e ecológico da mesma. O essencial desta definição está na distinção entre recursos utilizados derivados pela remoção, processamento ou manipulação dos materiais geológicos através da sua exploração, e, a conservação deste recurso como o herdamos e no seu estado natural.
Se consideramos que é necessário realçar e proteger a geodiversidade, facilmente apurámos que esta contribui para o rendimento e emprego da comunidade local. Mas para quê este valor? Existem várias razões. Assim, a geodiversidade permite:
- Obter satisfação e bem-estar por parte da população;
- Fornecer produtos, bens e serviços;
- Decidir de forma adequada e sustentável a sua gestão;
- Pesquisar de forma avançada para o desenvolvimento da ciência e da indústria;
- Conferir um maior conhecimento para os geólogos;
- Ceder mais recursos/materiais para o ensino; e
- Conceder um maior conhecimento da localidade.
A herança geológica, constituída por características específicas, deverá ter um sistema de valorização, através da sua conservação. A geoconservação é complementar à bioconservação e pretende conservar os seres não vivos, sendo eles elementos do ambiente natural que se integram na conservação da natureza.
A geodiversidade é o suporte fundamental para o desenvolvimento e evolução de qualquer forma de vida, incluindo a humana, e, é difícil de compreender que as questões relacionadas com a sua conservação, raramente são tratadas com o mesmo grau de profundidade que a biodiversidade.
Em termos regionais ainda são poucas as entidades que estão alertadas para estas questões. Mas, relativamente ao desenvolvimento turístico, este soube tirar benefício do Património Natural açoreano; apelam fundamentalmente à apreciação da multiplicidade da herança histórica natural, utilizando o seguinte slogan: “Azores – the living Nature”; esta é uma forma evidente de valorização económica e social.
Porém, o valor intrínseco e ecológico da geodiversidade, apenas aparece salientado ou pela National Geographic Portugal (em Abril publicou o artigo “Dormindo com o Vulcões, de Gonçalo Pereira) ou pelas entidades da especialidade, nomeadamente, a Universidade dos Açores, a Agência Regional de Energia da Região Autónoma dos Açores (ARENA) e de projectos (GEODIVA, REIA-MAC, INTERREG III B, entre outros).
Pretende-se com este artigo alertar, informar e discutir esta nossa realidade, para que mais tarde, se possa, mensurar atitudes/valores, encontrar soluções e desenvolver acções para benefício da biodiversidade e para a Sustentabilidade da biosfera.

(*)Trabalho desenvolvido no âmbito do Mestrado em Educação Ambiental.

17 de setembro de 2012

conferência UDL - 10 dias depois




Manifesto para o ensino do Português no Mundo

No seguimento do Congresso Internacional UDL: Inovação na Educação, realizado nos dias 6 e 7 de setembro, em Ponta Delgada,   as entidades promotoras desta iniciativa manifestaram a sua preocupação perante a falta de uma estratégia global, fomentadora do idioma luso; a necessidade de formação docente adequada às especificidades dos diversos níveis de ensino e contextos (geográficos, históricos,  sociais e linguísticos); e a urgência de criar condições de acesso e de sucesso na aprendizagem da língua portuguesa ao nível mundial.  Os académicos e investigadores, perante a situação atual do ensino do português no mundo, alertam para a necessidade de serem levadas a efeito as seguintes ações: 1. sensibilizar e trabalhar em conjunto com a CPLP, por forma a criar mecanismos de cooperação internacional que garantam a formação de docentes universitários, responsáveis pela formação inicial e contínua de professores/as nos respetivos países e comunidades;2. elaborar um plano estratégico a médio e longo prazo, com vista à corresponsabilização dos sistemas educativos e associações profissionais no processo de globalização da aprendizagem do português, ao serviço de todas as manifestações de ensino nos quatro cantos do mundo; 3.criar recursos didáticos em suportes diversos, respeitando a variabilidade inerente às populações estudantis; 4. promover investigação, ao nível do mestrado, doutoramento e pós-doutoramento, na perspetiva prática de resolução de problemas relativos ao ensino da língua portuguesa e culturas lusófonas, incentivando a criatividade, flexibilidade e a inovação nos processos de aprendizagem; 5. aplicar os princípios universais de aprendizagem da leitura e da escrita, no mundo lusófono, como garante da participação ativa nas respetivas comunidades e nos destinos do mundo, aumentando, assim, os níveis de literacia; e 6. atender à necessidade de explorar o idioma luso nas suas múltiplas vertentes, como língua materna, língua oficial, língua de herança, língua 2 e língua estrangeira.


7 de setembro de 2012

6 de setembro de 2012

Pois é, entre julho e agosto, estagiei na CAST (http://www.cast.org/)

Depois aconteceu uma visita à Escola Básica e Secundária do Nordeste
E hoje as notícias sobre a Conferência Internacional UDL 2012 são as seguintes:
- GaCs: http://www.azores.gov.pt/GaCS/Noticias/2012/Setembro/20120906+DREF+Congresso+Intrenacional.htm
- Açoriano Oriental: http://www.acorianooriental.pt/noticia/governo-regional-lanca-programa-de-ensino-de-portugues-atraves-da-internet